17 de junho de 2011

Genealogia, uma paixão do acaso

       Encontrei a Genealogia, por um simples acaso do cotidiano, e mais adiante explicarei o por quê. Aliás, digo que não fui eu que encontrei a Genealogia, mas sim ela que me buscou.
        Antes disso, preciso tercer alguns comentários que me levaram ao tema.
       Conforme comentei em postagem anterior, a casa dos meus avós maternos sempre foi a extensão da minha própria casa. Acho que isso acontece em todas as famílias: as mães, tendem a frequentar mais a casa dos genitores, ao contrário do que acontecem com nossos pais. No meu caso, não tive sequer esta oportunidade, já que, quando nasci, meus avós paternos já eram falecidos. Assim, não me restou outra opção, senão a da convivência com os pais de minha mãe, que - diga-se de passagem - era sempre muito prazerosa. Por essa convivência tão próxima e frequente, é que sempre me mantive curioso pelas narrativas dos mesmos, contando-me dos seus, dos tempos idos, das colheitas e negociações de algodão, da lida de gado, das retiradas e das "pegas de bois no mato". Contos de sertanejo. 
          Nessa atmosfera de relatos dos antigos, dos seus modos, crenças e costumes, criei imagens fictícias de pessoas que nunca conheci, mas por quem sempre nutri admiração e bem-querer. Os anos se passaram, e nunca despertei maiores pretensões de conhecê-los melhor, de saber de onde vieram, como eram seus nomes completos, quando haviam nascido e morrido. Simplesmente sabia que, para que eu estivesse no mundo, muitos me antecederam. Mantive-os anônimos por muito tempo.
       Mas a pouco mais de dois anos, estava eu em mais um dia atarefado, no trabalho, quando minha filha me chamou ao telefone, pedindo que a ajudsse com a sua tarefa de escola para aquele dia. O exercício consistia em compor a árvore genealógica dela, de cinco gerações: ela, eu e Liliane - os seus pais, nossos pais, avós e bisavós. Tarefa fácil. Teria que apresentar o nome de 31 pessoas. Só isso. Facílimo - pensei - imaginando ter de memória o nome de todos. Afinal, como não lembraria o nome de meus avós e bisavós, já que eram de gerações próximas a mim? Ledo engano! Me dei conta de que não sabia sequer o nome completo de meus avós. Imagina dos meus bisavós!... Me vi transtornado pela ignorância de não saber dos meus antepassados tão próximos. Pelo telefone, chamei a parentes próximos, pedindo-lhes ajuda para completar as informações, ao mesmo tempo em que me desculpava, envergonhado, por não saber quem eram as pessoas responsáveis, também, pela minha existência. E mesmo com o desconforto, entreguei as informações solicitadas para a tarefa da escola.
       Não há nada mais salutar que a curiosidade, e ela nasce, na maioria das vezes, do inesperado. Uma simples tarefa de escola, me fez ver que, na verdade, eu não sabia direito quem era, de onde tinha vindo, quem eram as pessoas que me antecederam e que, diretamente, foram responsáveis por eu existir. Notadamente, eu acabara de descobrir que era somente filho de meus pais, sem saber ao certo quem eram os seus antecessores, aqueles que uniram-se antes deles, e que sem essas uniões, nenhum de nós houvéramos sido gente. E com essa dúvida me martelando os miolos, resolvi que, a partir de então, iria buscar não somente minha ascendência direta, mas sim todos os colaterais, em qualquer grau de parentesco. Resolvi que catalogaria as descendências dos ramos mais longínquos de meus antepassados,... 
      Passado pouco mais de dois anos daquele episódio, o resultado, hoje, é uma árvore genealógica com mais de 16.000 nomes catalogados, e pouco mais de 2.000 fotografias.
      Ainda há muito por fazer, mas o grande fascínio da Genealogia, é esta busca incessante, um garimpar lento e constante, onde cada nome adicionado se traduz numa satisfação enorme, indescritível. Assim são os caminhos tortuosos e misteriorsos da Genealogia. Uma selva a ser explorada enquanto estivermos por aqui, para que esses registros sirvam às gerações futuras, norteando-lhes, lembrando-lhes das origens mais remotas.

16 de junho de 2011

Meu breve histórico

          Nasci em Currais Novos, no sertão do Seridó, no ano da graça de 1969. Segundo o meu registro de nascimento, vim ao mundo às 08:00hs de uma manhã de quinta-feira. Me criei visitando com frequencia os currais do meu avô Tomaz, homem que sabia tudo da lida de gado, e por quem sempre nutri grande admiração, tanto por sua simplicidade de sertanejo, como pela vida campesina, da lida com o gado. Da infância, trago as lembranças saudosas do queijo fresco da casa de meus avós, do chocalho do gado enxiqueirado no curral, e das mãos ávidas do meu avô Tomaz, a ordenhar suas vacas, nas madrugadas frias do sertão serrano. Assim foi minha infância, desde que vim ao mundo, até o fim do ano de 1983, com idas e vindas entre a Currais Novos em que nasci, e a serrana Cerro-Corá, onde viviam meus avós maternos e todos os seus filhos, meus tios. Em janeiro de 1984, seguindo os passo dos meus irmãos, e pela atitude de meus pais para conosco, fui estudar em Natal, onde, sem dúvida, era o lugar para levar adiante os estudos, e onde já viviam meus irmãos. O sertão ficou para trás, mas nunca esquecido...
          Em Natal, fui acolhido no Colégio Nossa Senhora das Neves, durante o ano de 1984, quando concluí os estudos do curso secundário. Em seguida, prestei concurso e fui aprovado para estudar o curso Técnico em Geologia, na Escola Técnica Federal (hoje IFRN). No entanto, após um ano e meio frequentando o curso, concluí que não tinha nenhuma afinidade com esta escolha, e novamente me submeti a um processo de seleção, desta feita para estudar o curso Técnico em Agropecuária, na Escola Agrícola de Jundiaí, e finalmente me encontrei, concluindo o curso de nível médio na Agrotécnica da UFRN. Em 1991, após dois fracassos nos vestibulares tentados até então, finalmente fui aprovado para ingressar no curso de Engenharia Agronômica da ESAM (hoje UFERSA), onde o concluí em 1998, após um período de trancamento de matrícula para tratamento de saúde, que, embora não fosse nada que trouxesse risco à minha vida, me obrigou ficar um período afastado das salas de aulas.
          Em junho de 1991, recebi o grau de Engenheiro Agrônomo, e para minha felicidade, no dia 25 de Agosto daquele mesmo ano, era contratado na empresa Del Monte Fresh do Brasil, uma grande multinacional produtora e distribuidora de fruta frescas para vários continentes, e que se instalava no Brasil naquele instante, para produzir frutas para exportação. Fui o quarto empregado desta empresa no Brasil. A empresa estava sendo formada, a compra de terras era constante, e consequentemente, a montagem da infraestrutura para colocar estes campos em produção, nos ditava um ritmo alucinado e desafiante. Na Del Monte, de tudo fiz um pouco: fui Técnico, Comprador, Relações Públicas, Administrativo e, por fim, me foi dada a incubência de montar e estruturar o Departamento de Logística da empresa. Na verdade, eu não sabia nada de Logística, mas tomei a tarefa como desafio, e fizemos um grande trabalho, montamos uma equipe afinada e competente. Estudamos, estruturamos e definimos normas para o departamento que me havia sido confiado. E conseguimos fazê-lo grande e eficiente. Um trabalho desafiador, do qual me orgulho muito por ter participado tão intensamente, porque foi o momento em que vi e aprendi que não precisamos ser expert num assunto, mas podemos realizar tudo, se nos dedicarmos e se nos for dada a oportunidade de testar nossas capacidades e habilidades.
          Após cinco anos trabalhando na Del Monte, fui convidado a trabalhar na LauritzenCool, empresa do grupo Lauritzen, armador Dinamarquês, especializada no tranporte marítimo de produtos perecíveis, principalmente frutas frescas. Passei a atuar como Gerente de Logística, e dois anos depois estava transferido para a empresa LCL, do mesmo grupo, assumindo, doravante, a gerência de Logística e Equipamentos para três países da América do Sul: Brasil, Argentina e Uruguai. Em Dezembro de 2009, a LCL encerrou suas atividades em alguns países do mundo, dentre os quais o Brasil, em meio a uma grande guerra de concorrência que acometia as empresas NVOCC no mundo inteiro. Saímos todos pela porta da frente, e com tristeza, fui um dos que "apagou as luzes", como se diz no mundo dos negócios, dos que são convocados a encerrar as atividades das empresas em que trabalharam.
         Em Fevereiro de 2010, novamente mudei-me para Fortaleza, onde fui trabalhar na Brok Logística, do meu grande amigo Edson Brok, que naquela ocasião encontrava-se em fase de expansão de sua frota terrestre. No final do ano de 2010 voltei novamente a Natal, onde estou agora.
          Sou cidadão do mundo, e gosto de sê-lo. Tive oportunidade de "correr o mundo", realizando os serviços que me eram delegados. Onde precisei estar, estive, sem pestanejar. Ao contrário de muitos, o vai-e-vem constante sempre me encantou, pelas oportunidades de conhecer outros lugares e culturas, mas também pelo orgulho de estar trabalhando, produzindo, dentro e fora do meu país.
          Agora, estou buscando oportunidades de recolocação, e espero em breve poder voltar às minhas antigas rotinas de outrora, com muito trabalho, pois essa é a única forma do homem se sentir útil e verdadeiramente vivo.