20 de julho de 2011

Fotografias - Parte I

          Ao longo desses anos em que reúno dados genealógicos, muitas fotografias me chegaram às mãos, por intermédio de várias pessoas, mas principalmente de Fernando Galvão. As fotos dão uma atmosfera diferente à árvore genealógica, e as fotografias antigas são de beleza ímpar. Eis algumas delas:

Ana Amélia de Oliveira (Nanoca) - 16/03/1880-1975. Filha de Cândido de Oliveira Mendes (Cândido Gordo) e Laurinda Bezerra de Vasconcelos, meus trisavós

Adélia Adelvina de Medeiros - 21/03/1899-26/06/1936. Primeira esposa do meu tio-avô Severino Ramos de Oliveira, de quem era prima legítima. Filha de Antônio Pires de Medeiros (irmão de minha bisavó Porfíria Isabel) e Luisa Maria de Oliveira
Alcindo Pinheiro de Andrade - 03/11/1926-05/05/1986. Filho de Manoel Pinheiro de Andrade e Ana Francisca da Conceição, meus avós paternos.
Antônio Cândido de Oliveira  (22/10/1908-04/05/1977). Filho de Francisco Cândido de Oliveira e Porfíria Isabel Bezerra de Araújo, meus bisavós. Ana Bezerra de Medeiros (28/02/1916-15/03/1983), sua esposa e prima, filha de Manoel Pires de Medeiros (irmão de Porfíria Isabel) e Laurinda Bezerra de Vasconcelos.
ANTÔNIO PINHEIRO DE ANDRADE SOBRINHO. 12/03/1925 - 11/04/1988. Meu pai. Filho de Manoel Pinheiro de Andrade e Ana Francisca da Conceição.
ANTONIO PINHEIRO DE ANDRADE. 16/09/1926 - 14/11/1974. Filho de João Pinheiro de Andrade (irmão do meu avô Manoel Pinheiro de Andrade) e Francisca Lopes de Macedo
ANTONIO PINHEIRO DE ANDRADE. 16/08/1907 - ?. Filho de Manoel Pinheiro Galvão e Maria Olímpia de Andrade, meus bisavós.
08/11/1894 - 24/05/1934. Filho de Antonio Pires de Albuquerque Galvão Júnior e Porfíria Alexandrina de Jesus, meus tetravós.
ANTONIO PIRES DE MEDEIROS (07/12/1873 - 1966). Filho de Luiz de Medeiros Galvão Junior e Guilhermina Francisca de Medeiros, meus trisavós. 
CÂNDIDA OLINDINA DE OLIVEIRA (10/04/1888 - 26/03/1950). Filha de Cândido de Oliveira Mendes (meu trisavô) e sua segunda esposa, Maria Alexandrina de Albuquerque.
20/01/1879 - 11/11/1970. Filha de Cândido de Oliveira Mendes (Cândido Gordo) e Laurinda Bezerra de Vasconcelos, meus trisavós.
(05/08/1902 - 01/01/1966) Filha do casal acima, neta de Cândido de Oliveira Mendes (Cândido Gordo) e Laurinda Bezerra de Vasconcelos, meus trisavós.
11/05/1921 - 04/09/1977. Filha de Francisco Viterbo Bezerra e Guilhermina Francisca de Oliveira, esta última, minha tia-avó, irmã do meu avô Tomaz Teodomiro de Oliveira
25/12/1892 - 16/04/1978. Filha de Cândido de Oliveira Mendes, meu trisavô, em seu segundo casamento com Maria Alexandrina de Albuquerque.
31/10/1909 - 17/05/1936. Primeira esposa do meu avô Tomaz Teodomiro de Oliveira. Filha de Antonio Evangelista de Araújo e Maria Etelvina de Araújo
FRANCISCA GOMES DE ARAÚJO. 14/04/1918 - 22/10/2007. Filha de Antonio Gomes de Melo e Cândida Olindina de Oliveira. Neta de Cândido de Oliveira Mendes (meu trisavô) e Maria Alexandrina de Albuquerque
13/01/1926 - 2008. Filha de Melanias de Oliveira Mendes e Ana Bezerra de Medeiros. Melanias era irmão do meu bisavô, Francisco Cândido de Oliveira
FRANCISCO BEZERRA DE MEDFEIROS (Chico Tenente). 20/09/2863 - 29/12/1926. Filho do Cap. Luiz de Medeiros Galvão (Lulú da Areia) e Claudina Bezerra de Vasconcelos, meus tetravós.
FRANCISCO CÂNDIDO DE OLIVEIRA ( ?  - 1947) filho de Severino Ramos de Oliveira, meu tio-avô. GUIOMAR LOPES GALVÃO, sua esposa, é bisneta do Cap. Luiz de Medeiros Galvão e Claudina Bezerra de Vasconcelos, bisavós também do marido

?  -  ?. Filho de Francisco de Oliveira Galvão e Francisca Alexandrina de Oliveira, e neto, pelo lado paterno, de Manoel de Oliveira Mendes e Ana Alexandrina da Fonseca, meus tetravós.
FRANCISCO GODOFREDO PIRES GALVÃO (09/11/1898 - 23/05/1984), filho de João Alfredo Pires Galvão e Cecília Celestina de Oliveira, neto materno de Cândido de Oliveira Mendes e Laurinda Bezerra de Vasconcelos. ARTEMIZIA AUGUSTA DE VASCONCELOS (25/01/1898 - 01/08/1981) filha de Manoel Lopes de Vasconcelos Galvão e Teodora Cândida de Albuquerque.  Francisco Godofredo e Artemizia eram parentes, já que ambos eram bisnetos do Maj. Antonio Pires de Albuquerque Galvão e Guilhermina Francisca de Medeiros Rocha, meus pentavós.

21/06/1887 - 25/01/1979 Filho do Maj. Sérvulo Pires de Albuquerque Galvão Filho e Francisca Leopoldina Galvão. Bisneto do Maj. Antônio Pires de Albuquerque Galvão e Guilhermina Francisca de Medeiros Rocha, meus pentavós
FRANCISCO BEZERRA DE ARAÚJO GALVÃO (25/09/1874 - 1970) filho do Cel. Manoel Bezerra de Araújo Galvão e Ana Maria de Jesus. Pelo lado maternoo, neto do Maj. Antonio Pires de Albuquerque Galvão e Guilhermina Francisca de Medeiros Rocha, meus pentavós.
FRANCISCO BRAZ DE ALBUQUERQUE GALVÃO (03/02/1873 - 04/07/1938). Filho do casal Sérvulo Pires de Albuquerque Galvão e Josefa Bezerra de Jesus. Neto paterno de Maj. Antonio Pires de Albuquerque Galvão e Guilhermina Francisca de Medeiros Rocha, meus pentavós.

19 de julho de 2011

Irrigação e Fertirrigação - Parte II

4.4.2 SODICIDADE
O Sódio (Na+) é um dos elementos mais freqüentes da água de irrigação. Além de não ser essencial para os cultivos, um alto conteúdo deste cátion na água, pode afetar negativamente à estrutura do solo.
Para avaliar a sodicidade da água de irrigação, se utiliza o índice RAS (Razão de Adsorção de Sódio), que se refere à proporção relativa em que se encontra o sódio, ante cátions como Cálcio e Magnésio que amenizam o efeito negativo do Sódio (especialmente o Cálcio).
A RAS é facilmente determinada, se se conhece as concentrações, em meq/l, de Sódio, Cálcio e Magnésio da água. A fórmula a ser empregada é a seguinte:
Quanto maior for este valor, maior será o perigo de degradação do solo. É conveniente não confundir a RAS da água de irrigação (RASar) com a RAS do solo (RASss).
Hoje já se sabe que valores mais altos de RAS são admitidos à medida que aumenta a salinidade da água, já que o efeito dispersante do Sódio sobre o solo é atenuado por altas concentrações de sais que preservam sua estrutura.
À medida que diminui a quantidade de água no solo, os sais existentes no mesmo se concentram cada vez mais. Esta circunstância favorece a precipitação do Cálcio e do Magnésio, formando Carbonato e Bicarbonato Cálcico e Magnesiano, bem como Sulfato Cálcico (gesso).
Este fato faz com que a proporção de Sódio aumente e com isso o perigo de que o solo se degrade. Para precaver a afirmação anterior, os laboratórios determinam a RAS ajustada (RASaj) que agrega mais informações.



4.4.3 TOXIDEZ
A presença de alguns elementos (cloro, sódio, boro,...) na água de irrigação, pode produzir sintomas de toxidez em alguns cultivos ao ultrapassar certas concentrações.
É importante não esquecer que estes problemas de toxidez são específicos para um determinado elemento e uma planta, em particular.
De modo geral e indicativo, na tabela abaixo são apresentadas as seguintes diretrizes para que se interprete a qualidade das águas de irrigação:



No caso em que a água é aplicada por aspersão sobre o cultivo, as concentrações de sódio e cloro não deverão ultrapassar os 3,0 meq/l.

4.4.4 OUTROS CRITÉRIOS
4.4.4.1 Dureza
O grau de dureza da água se refere aos seus conteúdos de Cálcio e Magnésio. O resultado é expresso em graus hidrométricos franceses. Para o seu cálculo se emprega a seguinte fórmula:


Em geral, as águas muito duras são pouco recomendadas em solos pesados. Por outro lado, sua utilização está bastante indicada na recuperação de solos sódicos.
À partir de 50 hf (ou °F) pode acontecer problemas de obstrução de gotejadores, na irrigação por gotejamento.

4.4.4.2 Perigo de obstruções


4.4.4.3  pH (aconselhável)
·             Para equipamentos de irrigação: 6  -  7
4.4.4.4    Sulfatos
Valores superiores a 300 – 400 mg/l podem produzir problemas de corrosão na tubulação.

Manoel Pinheiro - Agronomia, Logística e Genealogia: Excelente Texto - Transcrição

Manoel Pinheiro - Agronomia, Logística e Genealogia: Excelente Texto - Transcrição

Mercado de Trabalho: o que vale a experiência adquirida?

          Há algum tempo que estou buscando recolocação no mercado. Tenho buscado todos os meios disponíveis para isso, e principalmente os recursos que a internet proporciona: LinkedIn, Catho, Manager, Agrobase, Vagas, dentre outros, só para citar alguns dos sites que mantenho-me inscrito, com o intuito de conseguir voltar a ter uma atividade laboral. Algumas vezes, fui contatado por recrutadores de diversas regiões do Brasil, mas, efetivamente, somente fui chamado para entrevistas em 3 ocasiões. Numa delas, aconteceu um episódio que gostaria de compartilhar com todos, mas principalmente com os recrutadores (se é que algúm chegará a ler este texto), porque, devo confessar, foi um dos piores momentos por que passei.
          Fui selecionado para concorrer ao cargo de Gerente de Logística de uma grande empresa de renome mundial. Naquela oportunidade, haviam cinco vagas para o cargo. Fizeram o contato via telefone, e uma entrevista prévia, embasada, claro, nos dados fornecidos pelo currículo, o qual havia postado em um desses sites de cadastramento de CV's. Após a enxurrada de perguntas, a recrutadora derramou-se em elogios. Falava-me que há muito buscava alguém que houvesse tido experiências com os diversos modais de transportes, experiências em atividades logísticas, exportações/importações, negociações de compra/venda de serviços. Enfim, finalizou as palavras me convocando para comparecer "in-loco" para uma nova entrevista, onde eu também participaria de uma dinâmica de grupo, o que era perfeitamente esperado. Mas, antes de encerrar a conversa, me certifiquei do meu perfil estar realmente dentro do esperado pela empresa. Minha preocupação por tal, se dava porque, apesar de estar inteiramente disposto a comparecer à convocatória da entrevista presencial, precisaria me organizar para viajar até o local, o que envolveria despesas com passagens aéreas e hospedagens, já que estávamos em regiões diferentes do Brasil. Ela foi enfática, dizendo-me: "você é, talvez, o candidado com mais chances de assumir uma das vagas!". 
          Com essa resposta, não havia mais o que pensar. Marcados data e hora de apresentar-me à entrevista, adquiri o bilhete aéreo, reservei o hotel, e lá fui eu ao encontro de minha recrutadora, com o otimismo de sempre, e com as esperanças de em breve estar recolocado e trabalhando, já que havia sido tão elogiado. Pensei na nova vida, na mudança de cidade e região, etc. As expectativas normais de quem recebeu palavras elogiosas, porém com a consciência de que ainda haveriam as demais etapas a serem vencidas, até à possível efetivação.
          Dia da entrevista, chegei ao local com antecedência ao horário estipulado, me apresentei, e fiquei aguardando o chamado, o que não tardou acontecer. E já devidamente acomodado na sala onde aconteceria a entrevista, finalmente tive o primeiro (e único) contato pessoal com a minha recrutadora, uma senhorita, que, apesar de sua jovialidade, era a diretora de recursos humanos do grupo. Talvez a moça tivesse não mais que 25 anos, mas certamente não havia chegado ainda aos 30. Nos apresentamos, e começaram as indagações. Tudo conforme o esperado, e em pouco menos de uma hora, chegávamos ao fim daquele colóquio. Novamente minha entrevistadora terceu elogios sobre meu passado laboral, enfatizando minhas experiências prévias, reafirmando que a empresa necessitava de alguém com meu perfil... Dispensável comentar aqui minha satisfação aos elogios. 
          No entanto, já nos prenúncios dos cumprimentos finais, para que eu pudesse seguir à próxima etapa da seleção que aconteceria no dia seguinte, ela me interpelou mais uma vez, peguntando-me se eu dominava, especificamente, um certo sistema TMS, o qual era utilizado pela empresa. De pronto, respondi que não - até porque não o conhecia mesmo -, para em seguida comentar, após ser perguntado, que já havia trabalhado com sistemas dos mais variados tipos nos últimos 12 anos, e que inclusive havia participado do processo de implementação de dois sistemas TMS nas empresas em que trabalhado anteriormente. 
          Não haveria nenhum empecilho, de minha parte, em aprefeiçoar-me naquele sistema específico. Afinal, nunca tive nenhum problema com informática. Ao contrário, sou um entusiasta da tecnologia de informações. Tenho buscado conhecer o máximo que posso do que a informática pode nos proporcionar. Sistemas são ferramentas indispensáveis, e qualquer pessoa pode ser capaz de manuseá-los, desde que se interesse e tenha o treinamento adequado para tal. 
          Nesse momento, notei que o clima, antes tão positivo e amistoso, havia mudado por completo. As expressões da recrutadora denunciavam desapontamento, e me veio a frase que não esperava escutar: "sua experiência laboral é incontestável, mas não poderei levar-lhe adiante na seleção, porque, um dos pré-requisitos para o cargo, é o domínio do sistema "X" (sinceramente, não lembro o nome do tal sistema informático).
          Naquele momento, fui eliminado do processo seletivo. Minha "bagagem" laboral, acabara de ser descartada, em detrimento de eu não dominar aquele sistema utilizado pela empresa. 
        Eu, que havia tido participação conclusiva na implementação de dois sistemas informáticos, em duas empresas multinacionais em que havia trabalhado anteriormente, que viajei ao exterior para ser treinado em um sistema chamado "Tradeware", porque na empresa em que trabalhava, ninguém o dominava, e que ao final do treinamento, e de volta ao Brasil, não só treinei a minha equipe e os demais colegas, que havia tido a preocupação de escrever um manual do Tradeware para que pudessem consultá-lo quando necessário, estava sendo descartado por não conhecer um sistema informático específico, dentre milhares que existem no mercado, e que são utilizados pelas empresas por suas próprias escolhas. Não estávamos ali discutindo o domínio do Excell ou de alguma ferramenta específica para engenheiros desenhistas, como é o AutoCad, por exemplo...
        Bom, o que haveria de fazer? Nada mais. 
     Com tranquilidade, agradeci a minha recrutadora pela oportunidade, pedindo-a que me  confirmasse que, para mim, a seleção havia chegado ao fim. Prontamente recebi o veredito final: sem ser expert no tal sistema, eu estava fora do processo seletivo, e para mim, a seleção acabava naquele ponto. 
       Em nossas despedidas, a recrutadora desculpou-se, indagando se eu gostaria de fazer alguma consideração final. Lhe disse que sim, desde que ela me permitisse ser informal nos comentários, o que ela concordou prontamente. Simpática a moça! Comentei inicialmente que os profissionais, quando saem das escolas, travam uma grande batalha para conseguirem entrar no mercado de trabalho, justamente por não ter a experiência tão requerida pelas empresas. Mas uma vez conseguida a primeira colocação, as pessoas vão se aperfeiçoando nas suas labores. Adaptar-se ao que as empresas exigem, faz parte das experiências, e isso vem com o tempo, que deve ser o menor possível para o desempenho das atividades. Isso é salutar e faz parte do jogo, e cada um deve estar capacitado a correr contra o tempo. No entanto, em minha ótica, exigir de alguém que está sendo recrutado para um determinado cargo de gerenciamento de processos, o conhecimento de um determinado sistema informático, não seria o item a eliminar o candidato. Sistemas informáticos são construídos para usuários, e cabe a quem vai se utilizar deles, aprendê-los. Quem tem que conhecer sistemas, serem experts nestes, são as empresas que os elaboram. Elas sim, junto ao seu pessoal técnico, devem ser capazes de conhecer a fundo os sistemas que constroem, para capacitar aos que os utilizam. Dito isso, notei que havia tocado num ponto que talvez a  recrutadora não houvesse despertado até então. A sensação que tive, é que, de certa forma a havia constrangido, mesmo sem nenhuma intenção de fazê-lo, mas pela sinceridade e  objetividade do que havia comentado. Estirei-lhe a mão, despedi-me novamente, e fui-me. Frustrado, claro, mas rindo do acontecido. Sem culpas nem vergonhas, mas muito frustrado pelo que acabara de vivenciar.
          Nunca esqueci o quão jovial era a minha recrutadora, e por esse motivo, acredito que ela ainda não tinha a experiência e discernimento suficientes, para questionar/discutir junto aos seus superiores, que aquele não deveria ser o parâmetro para eliminação de candidatos ao cargo. Não se elimina uma pessoa que concorre a um cargo gerencial, por não saber manipular um sistema informático que ela nunca teve acesso ou desconhece. Elimina-se sim, um candidato a qualquer cargo que seja, pela incapacidade que este candidato tenha de não poder operar qualquer sistema informático por não saber o mínimo de informática. Mas estas são qualificações genéricas. É impossível que alguém, nos dias atuais, não tenha o mínimo de familiaridade com a informática. 
          Ainda continuo firme no meu conceito de que sistemas são feitos para usuários, e que estes usuários devem interagir com os mesmos, quando devidamente familiarizados e treinados para tal.  Ou até mesmo, podem existir pessoas que tornam-se "experts", sendo auto-didatas, mas que precisam ter o primeiro contato com os tais sistema informáticos.
          Aos recrutadores, fica minha pergunta: O que vale a experiência adquirida?

          Sigo adiante, buscando minha recolocação.

          Manoel Pinheiro

18 de julho de 2011

Irrigação e Fertirrigação - Parte I

CENTER-entrada principal (foto do autor)
          Em 1999 fui estudar na Espanha. Consegui, com o Prof°. Joaquim Amaro, da ESAM, uma bolsa de pós-graduação, na ECCA (Escuela Central de Capacitación Agrária), do Centro Nacional de Tecnología de Regadíos (CENTER), Torrejón de Ardóz, Madri. Já trabalhava na Del monte àquela época, mas pedi demissão, e com a ajuda de muitas pessoas, parti para aprefeiçoar-me em Irrigação e Drenagem.
          Concluído o curso, e já de volta ao Brasil e novamente à Del Monte, que me chamou de volta aos seus quadros, começaram a surgir alguns convites para proferir palestras sobre os temas que havia estudado. Assim, terminei por elaborar um material didático sobre técnicas de Irrigação e Fertirrigação, que transcreverei aqui, ao longo de várias postagens.





1.    INTRODUÇÃO
IRRIGAÇÃO é uma prática cultural de climas áridos e semi-áridos, que tem sido desenvolvida por todos os povos que necessitam transformar a natureza para sobreviver em condições de escassez de chuvas, ou quando estas se distribuem de forma muito irregular, e ainda quando se pratica agricultura altamente tecnificada, como é o caso de projetos agrícolas cujas produções destinam-se à exportação, principalmente em se tratando de frutas in-natura.

2.    O ASPECTO SOCIAL DAS ZONAS IRRIGADAS
Tradicionalmente, se considera a irrigação como um elemento dinamizador das zonas rurais, tanto como perspectiva econômica e de desenvolvimento de novas atividades ligadas à comercialização e transformação da produção agrícola e aos serviços, como à ótica da geração de emprego e redistribuição da propriedade.

3.    IRRIGAÇÃO LOCALIZADA
Dentro das atuações possíveis e através do fomento da modernização das zonas irrigadas, temos o exemplo claro da irrigação localizada no que seria economia e melhora da irrigação. Dentro deste sistema, temos as seguintes vantagens e desvantagens:

Vantagens:

1.      Economia importante de água, mão-de-obra, produtos fitossanitários e abonos;
2.      Possibilidade de irrigar qualquer tipo de terreno, por mais acidentados ou estruturalmente pobres que sejam;
3.      Uso de água de “pior” qualidade;
4.      Aumento da produção, antecipação de colheitas e melhor qualidade dos produtos;
5.      Permite simultaneidade com ouras atividades agrícolas, ao estar em solo seco;
6.      Não altera a estrutura do solo.

Desvantagens:

1.      Instalação cara;
2.      Se for mal projetada ou mal instalada, pode levar a perdas de colheitas, por falta de água e nutrientes, podendo chegar – em alguns casos – a ter menor eficiência que os sistemas tradicionais de irrigação;
3.      Se não existe possibilidade de lixiviação do terreno, o uso sistemático de águas de má qualidade pode acabar contaminando as áreas de cultivo;
4.      Obstrução dos gotejadores pelas partículas trazidas (arrastadas) pela água;
5.      É necessária uma maior qualificação por parte do usuário, do que em qualquer outro sistema.
Por último, deve-se comentar que existem dois tipos de sistemas de irrigação localizada: subterrâneo, que é pouco utilizado, pelos problemas que apresenta nas raízes e práticas agrícolas; e superficial, que, na prática,  é o sistema amplamente difundido e utilizado.

4.    A ÁGUA DE IRRIGAÇÃO
4.1.   INTRODUÇÃO
Quando se decide transformar uma área fazendo-se uso de irrigação, a água se constitui no principal fator limitante. Neste sentido, existem dois aspectos que o irrigante nunca deverá esquecer: a vazão disponível e a qualidade de água a ser utilizada.
A vazão indicará o volume de água disponível na unidade de tempo (l/s, m3/h, etc). Em função das necessidades de irrigação do cultivo, e do sistema utilizado, a vazão determinará qual a superfície máxima a irrigar.
A qualidade da água de irrigação compreende uma série de aspectos ou características físicas e químicas que condicionam o que esta água pode irrigar.
Ainda que a análise química da água de irrigação seja essencial para avaliar sua qualidade agronômica, há que se ter em mente que a aptidão final da água de irrigação disponível virá condicionada também por outros fatores, tais como: o sistema de irrigação empregado, o cultivo à ser irrigado, tipo de solo e manejo da irrigação.

4.2 PROCEDÊNCIA DA ÁGUA DE IRRIGAÇÃO
Tradicionalmente, as águas destinadas à irrigação, têm sido as águas superficiais (açudes, rios, barragens, etc). Estas apresentam o inconveniente de tornarem-se escassas, principalmente nos meses do ano em que há maiores demandas de irrigação. Daí, já se torna usual a construção de cisternas para uso próprio.
As águas superficiais podem ter uma temperatura bastante similar à temperatura da atmosfera. São ricas em gases (oxigênio) e têm substâncias minerais e orgânicas em solução e suspensão, sendo cada vez mais elevado o risco de contaminação em conseqüência da atividade humana.
A insuficiência das águas superficiais tem obrigado aos agricultores a procurar e utilizar-se de águas armazenadas em horizontes profundos do solo (aqüíferos).
Estas águas subterrâneas se caracterizam por ter uma temperatura muito uniforme durante todo o ano. São pobres em gases dissolvidos, assim como em substâncias minerais e orgânicas em solução e suspensão, apresentando menores riscos de contaminação que as águas superficiais.
Em águas captadas de aqüíferos subterrâneos que percorrem subsolos calcários, se observa um maior conteúdo de cálcio (principalmente no período frio, em países com a estação de inverno bem definida). Por outro lado, quando esta água atravessa extratos ricos em sais solúveis, pode dar-se um aumento da concentração total de sais (principalmente no verão).
No caso de poços localizados próximos a um rio, pode-se observar que na medida em que se intensificam as extrações de água deste aporte, a composição da água se aproxima cada vez mais à do rio. Da mesma forma, em poços próximos ao litoral, onde os aqüíferos sobreexplorados são invadidos por água marinha.

4.3 AMOSTRAS E ANÁLISES DE ÁGUAS

Para avaliar a aptidão da água de irrigação, é importante que se proceda uma amostra da mesma e a encaminhe a um laboratório confiável, para análise. Normalmente, a responsabilidade da coleta da amostra recai sobre o agricultor. Dessa forma, talvez seja conveniente não esquecer dos seguintes conselhos:

1. O recipiente deverá ser de vidro ou plástico. Deve estar bem limpo. No caso de uma análise simples, 1 ou 1,5 litros de água é suficiente;
2. No caso de águas correntes, as amostras devem ser retiradas de vários pontos, à profundidade média, e nunca em lugares onde a correnteza não seja normal. Estas sub-amostras deverão ser misturadas em um recipiente independente (e maior), para que se obtenha a amostra final que será enviada ao laboratório;
3. Em poços, é conveniente ligar a bomba e esperar vários minutos antes da retirada da amostra;
4. Assegurar-se que o recipiente está bem fechado e tomar as precauções oportunas para que seja feita uma boa embalagem, principalmente se o recipiente que contém a amostra for de vidro;
5. Preencher a etiqueta de identificação, que deverá conter os seguintes itens: Procedência (nome da propriedade rural, município, estado, etc.), Responsável (proprietário ou pessoa que procedeu a amostragem), Utilização da água (tipo de cultura), Tipo de análise requerida, etc.
6. A amostra deve ser enviada ao laboratório o mais rápido possível
No caso de uma análise comum de água para uso agrícola, os parâmetros a serem determinados pelo laboratório, podem ser os seguintes:
·         PH
·         Condutividade Elétrica (CE)
·         Carbonatos
·         Bicarbonatos
·         Cloro
·         Sulfatos
·         Nitratos
·         Cálcio
·         Magnésio
·         Potássio
·         Sódio
·         Amônia
·         Boro
·         Ferro
  
4.4 QUALIDADE DA ÁGUA DE IRRIGAÇÃO

Quando da avaliação da qualidade da água de irrigação, pode-se seguir 4 tipos de critérios básicos:
 
1.      Salinidade (conteúdo total de sais)
2.      Sodicidade (perigo do sódio)
3.      Toxicidade
4.      Outros Critérios
4.4.1 SALINIDADE (conteúdo total de sais)
A água de irrigação sempre leva sais dissolvidos. Se o conteúdo destes sais é elevado, as plantas encontrarão mais dificuldade para absolver água do solo. Este simples fato pode gerar uma diminuição na colheita, tanto maior quanto mais sensível for o cultivo em questão.
Para avaliar de uma forma rápida a quantidade de sais na água, procura-se determinar sua Condutividade Elétrica (CEa), que pode vir expressa em milimhos/cm (mmhos/cm) ou em micromhos/cm (mmhos/cm).
A equivalência entre as unidades, é a seguinte:
  
1 mmhos/cm = 1.000 mmhos/cm 
A determinação da CEa é feita através de um instrumento chamado “condutivímetro”. Seu resultado sempre se refere à temperatura de 25 °C, e o seu valor será tanto maior, quanto mais sais estejam contidos na água.
Uma vez conhecido o valor da CEa, o Conteúdo Total De Sais (C.T.S.) da amostra pode ser estimado da seguinte forma:
C.T.S. (g/l) = 0,64 x CEa (mmhos/cm)
No mercado existem condutivímetros de bolso que, pelo seu baixo custo, estão ao alcance do agricultor e que, apesar de não ser aparelhos muito precisos, se constituem em um instrumento eficaz para “vigiar” a salinidade da água que se está utilizando na irrigação.
Se se deseja conhecer com precisão a salinidade real da água, se fará necessário obter o conteúdo de cada um dos diferentes sais (cátions e ânions), através da determinação laboratorial. Neste caso, a salinidade será determinada pela soma das quantidades dissolvidas dos diferentes sais presentes.
Para qualquer que seja o sal, a sua concentração (quantidade de sal dissolvido em um volume determinado de água) pode vir expressa em miliequivalentes/litro (meq/l), e como regra, a soma dos cátions em meq/l, deve ser muito próxima a dos ânions.
Para se determinar o resultado em miligrama/litro (mg/l), basta somente multiplicar o valor em miliequivalente/litro (meq/l) por um fator que está na tabela que virá à seguir, e que, como será notório se observar, depende do tipo de sal.

Sal (ânion/cátion)
Fator
Carbonatos CO3--
30,00
Bicarbonatos CO3H-
61,00
Cloro Cl-
35,46
Sulfatos SO4--
48,03
Nitratos NO3-
62,00
Cálcio Ca++
20,04
Magnésio Mg++
12,16
Sódio Na+
23,00
Potássio K+
39,10
Amônia NH4+
18,00
Boro
10,80
Fósforo
31,00
De posse do valor da CEa, pode-se estabelecer a seguinte classificação proposta em 1972 pelo Comitê de Consultores da Universidade da Califórnia:
Classificação das águas de irrigação, baseado na CEa a 25 °C
Índice de Salinidade
CEa (mmhos/cm)
Risco de salinidade
1
< 0,75
Baixo
2
0,75  -  1,5
Médio
3
1,5  -  3,0
Alto
4
> 3,0
Muito Alto