30 de agosto de 2011

Centenário de Tomaz Teodomiro de Oliveira - Tomaz Cândido

          Se vivo estivesse, meu avô Tomaz teria completado 100 anos, no último dia 24 passado.
          Tomaz Teodomiro de Oliveira - Tomaz Cândido, para quem o conheceu -, nasceu a 24 de agosto de 1911, na Fazenda Tamanduá, em Currais Novos/RN. Foi o 12° filho da prole de Francisco Cândido de Oliveira Mendes e Porfíria Isabel de Araújo Bezerra.
          Por sua origem campesina, galgou o sustento de sua família, sempre em atividades ligadas ao campo, principalmente a pecuária. Também foi agricultor, e assim como seu pai, cultivou algodão mocó, primeiro em terras de sua família, depois em sua propriedade, e finalmente, em terras "alheias", como assim costumava dizer.
           Tomaz foi acometido de tragédias particulares, a primeira delas, o suicídio do seu pai, o qual já relatei aqui. Em dezembro de 1931, com recém completados 20 anos de idade, contraiu matrimônio com sua parente próxima, Francisca Bezerra de Assis, com quem teve 3 filhas: Maria Bezerra de Oliveira (Marié) nascida em 31/12/1932, Marilene Bezerra de Oliveira nascida em 25/02/1935 e finalmente, Terezinha Bezerra de Oliveira nascida em 02/05/1936. Quinze dias após o nascimento da terceira filha, Terezinha, em 17/05/1936, falecia Francisca Bezerra, deixando as filhas com tenra idade, o que deve ter sido um grande desafio para um homem cujas atividades estavam no campo. No entanto, Tomaz novamente contraiu núpcias, com aquela a quem viria a ser minha avó materna, Idila Galvão de Lira (Idila Galvão de Oliveira, após o casamento), no dia 25 de Julho daquele mesmo ano, dois meses após o falecimento de sua primeira esposa, Francisca Bezerra. Duas de suas filhas, Marié, a primogênita, e Terezinha, a recém nascida, foram viver com os avós maternos, Francisco Evangelista e Maria Etelvina, a pedido destes. Marilene, a segunda cria do casal, foi adotada por Idila, quem a criou como se filha dela fosse.
          Do segundo casamento de Tomaz, nasceram sete filhos, dos quais, seis chegaram à idade adulta, e até o momento permanecem entre nós, incluindo a minha genitora, a primeira filha do casal, nascida em 1938.
          Tomaz faleceu em 19/09/1995, aos 84 anos. Até o momento, sua descendência direta soma 52 pessoas:
  • 10 filhos: do primeiro casamento - Marié, Marilene e Terezinha; do segundo casamento: Marlene, Maria (Marly), Marcônio, Magnus Augusto (falecido em idade tenra), Marlêucio, João (Marivaldo) e Marleide.
  • 18 netos: Magnólia, Gorett, Júnior, Manoel Francisco, Maria da Guia, Paulo Herôncio, Paula Herôncio, Sérgio, Antômar, Manoel (Netto), Mirta, Meiriane, Maria Clara (falecida em idade tenra), Amadja Karla, Anna Karynne, Anna Katyanne, Alex e Andrea.
  • 22 bisnetos: Anna Karolliny, Maíra, Lucas, Janaína, Janicleiton, Cristina Carine, Fagner, Priscila Karine, Tereza Raquel, Vitória, Sylvia, Maria Esther, Paulo Henrique, Thiago, Isadora, Daniel, Ana Beatriz, Ana Luiza, Lorena Luiz Felipe, Rayra e Nicole.
  • 2 trinetos: Amanda e Alexandre
          Passados 16 anos de seu falecimento, registra-se aqui a passagem do seu centenário, pois se estivesse ainda entre nós, certamente teríamos a acolhida prazenteira de seus afagos, conversas, contos e encantos, tão bem guardados em nossas memórias.
          De Tomaz, ficaram as lembranças, os exemplos de vida e a saudade doída...

25 de agosto de 2011

Irrigação e Fertirrigação - Parte IV

5. NECESSIDADES HÍDRICAS DAS PLANTAS

A água é imprescindível para a vida dos vegetais, pois é o principal constituinte da maior parte de sua matéria (80 – 90%), e é utilizada como solvente dos elementos químicos e transporte de nutrientes. Além da nutrição, a água e um elemento essencial em todas as funções vitais dos vegetais, pois é fundamental no processo de regulação térmica (TRANSPIRAÇÃO), no movimento da seiva elaborada, etc.
As necessidades de água das plantas dependem fundamentalmente de dois fatores: a própria planta (e, por conseguinte, de sua fisiologia) e do meio onde esta está sendo cultivada.


5.1.                NECESSIDADE DE ÁGUA DE UM CULTIVO
A necessidade de água requerida por um cultivo qualquer é dada pela soma das necessidades inerentes à própria planta e as necessidades do meio onde esta está sendo cultivada (SOLO), com suas perdas e o seu poder de retenção.

Se o solo tem um bom nível de umidade (pouca retenção ou retenção nula), e se se dispõe de um sistema de irrigação que evite as perdas por percolação, a preocupação será em disponibilizar às plantas a água que estas transpirem (TRANSPIRAÇÃO), e a que se evapore (EVAPORAÇÃO). A água de constituição da planta é insignificante no consumo, já que para formar 1 Kg de matéria vegetal (água + matéria seca), a planta deve transpirar centenas de litros de água. Portanto, a quantidade de água necessária, deverá ser fixada nos seguintes valores:

           
A EVAPOTRANSPIRAÇÃO (ET) de uma cultura (ETc) pode e deve ser traduzida como a necessidade hídrica dessa cultura.

ETo: é o valor da evapotranspiração de referência, medido à superfície de uma gramínea. Este dado pode ser obtido por diversos métodos, e é expresso em milímetros (mm) de água. Está diretamente relacionado com os dados de clima (temperatura, umidade, vento, etc.).
Kc: é denominado “coeficiente de cultivo”, e depende da cultura e de sua fase de desenvolvimento. Existem várias tabelas que informam o Kc para diferentes culturas agrícolas (o valor de Kc pode variar de uma zona climática a outra).
5.2.               CÁLCULOS DA ETo e Kc
Em zonas onde há um avançado desenvolvimento em matéria de irrigação, a ETo é diariamente comunicada ás comunidades irrigantes por meios de ampla difusão (rádio, imprensa, etc.), pois estas zonas dispõem de séries históricas de dados climatológicos, de onde se pode obter os valores da ETo facilmente. Nas regiões de pouco uso da irrigação, a saída é montar um tanque classe “A” para medir a evaporação diária (em mm). Pelo baixo custo e facilidade de manejo, este método está sendo amplamente  difundido e utilizado para o cálculo requerido.
 5.2.1        Cálculo da ETo através do Tanque Classe “A”

Ø  Kp  =  Coeficiente do Tanque. Depende das condições que margeiam a estação.
Ø  Ep  =  Evaporação do Tanque
          Exemplo de Cálculo:
Mediante um evaporômetro tipo Tanque Classe “A”, determinar a ETo durante o mês de junho, com os seguintes dados:
-          O tanque classe A tem uma borda de 10 m de grama
-          Umidade relativa média: 50%
-          Vento moderado
-          No quadro abaixo, estão indicadas as leituras diárias do nível da água do recipiente (tanque), a quantidade de chuva diária e as quantidades de água adicionadas ou subtraídas ao recipiente.
Solução:
Aplicando-se a fórmula  ETo = Ep  x  Kp

Do quadro n° 1, o valor de Kp =  0,7
Substituindo os valores na fórmula, tem-se:
          Eto  =  Ep  x  Kp  =  5,7  x  0,7  =  3,99 mm/dia
Kc  =  COEFICIENTE DE CULTIVO. O coeficiente de cultivo depende fundamentalmente da fase de desenvolvimento da cultura, e de alguns fatores tais como umidade ou o vento. (A cultura pode ter as suas taxas de evaporação modificadas para adaptar-se às condições climatológicas).
 
5.3.                            FASES DA CULTURA
Ø  Inicial: desde a semeadura até 10% de solo coberto.
Ø  Desenvolvimento: desde o final da fase INICIAL até a cobertura máxima do solo.
Ø  Meia estação: final da fase de DESENVOLVIMENTO até a maturação.
Ø  Estágio Final: desde a maturação até a colheita.
OBS.: as fases de cada cultivo são bastante variadas, e depende da variedade cultivada e do clima local. Uma boa opção de parâmetro é buscar na literatura, dados de registros de valores de Kc, assim como comparando, “in-loco”, os diversos ciclos da cultura que se está explorando, com a literatura disponível.
 5.4                        ALGUNS DADOS QUE PODEM AFETAR O VALOR DA Etc
Ø  Clima
-          Pouca variabilidade em médias amplas
-          Calcular as instalações para as previsões máximas
-          Estudar microclimas quando se dispõe de dados cuja estação climatológica está afastada

Ø  Mudanças em novas áreas irrigadas
-          As séries históricas de dados podem variar.
 
Ø  Lençol freático
-          O nível freático alto reduz os índice da Etc obtido pelos procedimentos utilizados para tal.

Ø  Outros fatores
-          Os quebra-ventos podem reduzir a Etc
-          As práticas laborais podem reduzir ligeiramente a Etc.

5.5.                          CÁLCULO DAS NECESSIDADES DE IRRIGAÇÃO

NB = Necessidades Brutas (quantidade de água que se deve disponibilizar, através da irrigação)
NN = Etc, de acordo com o cálculo efetuado anteriormente, retirando-se a água de chuva.
No caso de árvores frutíferas, a equação é modificada, levando-se em consideração um novo parâmetro (F), que está relacionado à zona sombreada.
Sendo P% a porcentagem de solo sombreado pela copa, em função da totalidade de solo correspondente a cada árvore (não é utilizado para espaldadeiras).
            Portanto, para fruteiras a fórmula deverá ser:
Ea = eficiência de aplicação (água efetivamente é aproveitada, do total aplicado)
           Irrigação por aspersão = 0,6
           Irrigação por gotejamento = 0,9
LR = Fração de lixiviação (ou lavagem). É a quantidade de água necessária para produzir lixiviação, a fim de regular a salinidade na zona radicular da planta.
CEa = Condutividade elétrica da água de irrigação (mmhos/cm).
Max Cee = Condutividade elétrica do extrato de saturação do solo, para um determinado cultivo (ver quadro 5)

QUADRO 5 – DIMINUIÇÃO DE RENDIMENTO (%) QUE DEVERÁ SER ESPERADO DEVIDO À SALINIDADE NA ÁGUA DE IRRIGAÇÃO (mmhos/cm), COM IRRIGAÇÃO SUPERFICIAL (FAO 29).


14 de agosto de 2011

Árvores Genealógicas dos descendentes de João Plácido de Lira, em seu primeiro casamento com Maria Galvão

          Essa é para os parentes mais próximos. Nessa postagem, colocarei as árvores genealógicas das famílias mais próximas à minha. Aqui estarão as descendências dos filhos dos meus bisavós João Plácido de Lira e Maria Galvão (1º. casamento de João Plácido). Para ampliar, clique na árvore genealógica.
  • Idila Galvão de Lira (Idila Galvão de Oliveira, após o casamento) - 1ª filha


  • Marcina Galvão de Lira (Marcina Galvão de Azevedo, após o casamento) - 2ª filha

  • Hilda - 3ª filha. Faleceu quando criança - Sem descendência

  • Maria Galvão de Lira - Lilia (Maria Galvão do Nascimento, após o casamento - 4ª filha
  • Ozima Galvão de Lira (Ozima Galvão Câmara, após o casamento) - 5ª filha. Desta família de minha tia-avó, faltam muitas informações. Tentei muitas vezes conseguir os dados complementares, mas como não há reciprocidade para o envio destes, a árvore segue muito incompleta.

  • Francisco Emiliano de Lira (Chiquinho) - 6º filho. Esta árvore está incompleta. Ídem comentarios anteriores

  •  Odisa Galvão - 7º filho. Faleceu ainda jóvem. Sem descendência

  • José Galvão de Lira (José Lira) - 8º filho

13 de agosto de 2011

Fotografias - Parte II

Dando sequência às fotografias postadas anteriormente...

GUILHERMINA FRANCISCA DE OLIVEIRA (13/08/1901 - 29/05/1950). Filha de Francisco Cândido de Oliveira Mendes e Porfiria Isabel Bezerra de Araújo, meus bisavós. FRANCISCO VITERBO BEZERRA (04/09/1897 - 07/01/1929), esposo de minha tia-avó Guilhermina, era filho de Francisco Bezerra de Medeiros e Teodora Maria de Jesus Neta, e neto do casal Cap. Luiz de Medeiros Galvão (Lulú da Areia) e Claudina Bezerra de Vasconcelo, que eram também os bisavós de Guilhermina. Portanto, Francisco Viterbo e Guilhermina, eram primos em segundo gráu.


HORÁCIO PIRES GALVÃO ( 22/10/1891 - 28/06/1950). Filho de Antonio Pires de Albuquerque Galvão e Porfíria Alexandrina de Jesus, e neto do casal casal Antonio Pires de Albuquerque Galvão Júnior e Porfíria Alexandrina de Jesus, meus tetravós. Não há equívoco nos nomes acima. Ambos os casais tinham os mesmos nomes, diferindo apenas nos 2 Antonio Pires, em que o mais velho, tinha "Júnior" em seu nome. Isto é: Antonio Pires de Albuquerque Galvão (pai de Horário Pires), era filho de ANtonio Pires de Albuquerque Galvão Júnior.

IDILA GALVÃO DE OLIVEIRA (13/09/1916 - 15/01/2007). Minha avó materna. Filha de João Plácido de Lira e Maria Galvão.


INÁCIA VASCONCELOS DE MEDEIROS (07/08/1918 - 24/06/1997), filha de Luiz Pires de Medeiros e Amélia Adelaide de Vasconcelos. VICENTE CÂNDIDO DE OLIVEIRA (31/03/1915 - 18/01/1991), filho de Francisco Cândido de Oliveira Mendes e Porfíria Isabel Bezerra de Araújo. Luiz Pires de Medeiros e Porfíria Isabel, pai e mãe de Inácia e Vicente, respectivamente, eram irmãos. Assim, Inácia e Vicente eram primos legítimos, ambos netos de dois casais meus trisavós Luiz de Medeiros Galvão Júnior (Lucas Olhão) e Guilhermina Francisca de Medeiros, pais de Luiz Pires e Porfíria Isabel.


IVANEZ MENDES (11/06/1936 - 27/03/1994). Ivanez era parente de ambos meus genitores. Filho do casal Severino Mendes de Oliveira e Ana Pinheiro Galvão. Na ascendência paterna, era trineto do Cap. Luiz de Medeiros Galvão (Lulú da Areia) e Claudina Bezerra de Vasconcelos, meus pentavós. Pela ascendência materna, era trineto, dentre outros, do casal Joaquim Pinheiro Galvão e Tereza Maria de Jesus (Tetê Dourado), meus tetravós.



JACOB PIRES GALVÃO (29/11/1895 - 23/05/1980), filho de Tomaz Pires de Albuquerque Galvão e Cecília Auta de Araújo, e bisneto de meus pentavós Maj. Antonio Pires de Vasconcelos Galvão e Guilhermina Francisca de Medeiros.



JOÃO ALFREDO PIRES GALVÃO - Joca Pires (29/03/1873 - 28/05/1937), filho de Manoel Pires de Albuquerque Galvão e Rita Regina Maria da Câmara, e neto dos meus pentavós Maj. Antonio Pires de Albuquerque Galvão e Guilhermina Francisca de Medeiros.



 JOÃO PINHEIRO DE ANDRADE (20/03/1893 - 31/12/1974), meu tio-avô. Filho de Manoel Pinheiro Galvão e Maria Olímpia de Andrade, meus bisavós paternos.


JOÃO PINHEIRO DE ANDRADE (1922 - 1942). Meu tio. Filho de meus avós paternos Manoel Pinheiro de Andrade e Ana Francisca da Conceição. João Pinheiro faleceu muito jóvem, de causa desconhecida. Foi encontrado morto, em uma das ruas de Currais Novos.


JOÃO PLÁCIDO DE LIRA - Joca Paz (05/10/1886 - 20/07/1977). Meu bisavô materno, pai de minha avó Idila Galvão. Filho de Manoel Paz de Lira e Clara Maria da Conceição. No universo de meus apontamentos genealógicos, a maior icógnita é quanto à origem de meu bisavô Joca Paz. Sabe-se que ele nasceu em Picuí-PB, e migrou para Cêrro-Corá, com muitos irmãos (e talvez os pais), onde fixou residência, até a sua morte, em 1977. No entanto, pouco consegui sobre a família do meu bisavô, e sigo buscando informações. Caso alguém o conheça, e tenha maiores informações, por favor entrar em contato.



JOAQUIM THEOTÔNIO DE ARAÚJO GALVÃO (20/01/1842 - 03/12/1928), filho de Cipriano Lopes Galvão e Ana Marcolina de Jesus. Neto de meus hexavós Cipriano Lopes Galvão Júnior e Tereza Maria José.

CANTÍDIA PIRES GALVÃO (citada anteriormente em Fotos I - clique aqui). JOSÉ BRAZ DE ALBUQUERQUE GALVÃO (12/11/1896 - 28/03/1983), filho de Francisco Braz de Albuquerque Galvão e Isabel Bezerra de Araújo. José Braz e sua esposa Cantídia, eram ambos bisnetos dos meus pentavós Maj. Antonio Pires de Albuquerque Galvão e Guilhermina Francisca de Medeiros. Portanto, parentes. Cantídia era filha de Cecília Celestina de Oliveira, tia do meu avô materno Tomaz Teodomiro de Oliveira.

JOSÉ BRAZ FILHO (15/01/1925 - 21/11/1996). Filho do casal acima.

JOSÉ EDUARDO BEZERRA - Caruá (21/03/1926 - 15/04/1989). Filho do casal Antonio Eduardo Bezerra (Tonheca Tenente) e Elvira Bezerra de Oliveira. Bisneto de meus pentavós, Maj. Luiz de Medeiros Galvão e Claudina Bezerra de Vasconcelos.


JOSÉ PINHEIRO GALVÃO (27/01/1883 - 1950), filho de Manoel Pinheiro Galvão e Ana Raquel Freire. Neto paterno de Joaquim Pinheiro Galvão e Tereza Maria José, meus tetravós paternos.


JOSÉ PINHEIRO SOBRINHO (28/10/1910 -  ? ). Filho de Antonio Pinheiro Galvão e Bárbara Maria da Conceição. Antonio Pinheiro Galvão era irmão de José Pinheiro Galvão, citado acima.



JOSÉ PIRES DE ARAÚJO - Zé Galvão (28/06/1920 - 08/02/2000). Filho de Leôncio Pires Galvão e Maria Suzana de Araújo. Bisneto do Maj. Antônio Pires de Albuquerque Galvão e Guilhermina Francisca de Medeiros, meus pentavós.

7 de agosto de 2011

Irrigação e Fertirrigação - Parte III

4.4                MANEJO DA IRRIGAÇÃO EM CONDIÇÕES SALINAS

Apesar dos rendimentos com águas salinas não serem superiores aos obtidos com água de melhor qualidade, com a irrigação localizada se consegue melhores rendimentos que com outros sistemas de irrigação.
Nos sistemas de irrigação localizada de alta freqüência, a distribuição de sais no solo, ao se utilizar águas salinas, varia bastante em relação aos sistemas de irrigação por aspersão e gravidade.
Esta distribuição dos sais no solo (para certas condições de clima, solo e água), vai depender fundamentalmente da vazão unitária do gotejador, da dose de irrigação e da distância utilizada entre gotejadores.
A água se difunde tanto em profundidade como lateralmente, produzindo assim uma acumulação de sais na superfície do solo ou a pouca profundidade, bem como na periferia do bulbo úmido.

4.5.1 SITUAÇÃO DO GOTEJADOR NA INSTALAÇÃO 
Neste sentido é conveniente procurar (quando na fase do projeto do sistema de irrigação localizada), se conseguir uma sobreposição suficiente (15 – 20%) entre gotejadores, para que se forme uma faixa úmida contínua na linha de irrigação. No caso de cultivos em fileiras duplas, deverá ser colocado um ramal de gotejadores para cada linha de plantas.

4.5.2 DOSE E FREQÜÊNCIA DE IRRIGAÇÃO 
Na irrigação localizada se produz uma acumulação de sais na periferia das superfícies umedecidas, o que resulta ser insuficiente a lavagem dos sais. Por este motivo, e principalmente quando se utiliza águas salinas, é bastante conveniente realizar dosagens adicionais de água, a fim de se deslocar a frente salina, da periferia, para a maior distância do ponto onde está o gotejador, conseguindo-se, com isso, aumentar o volume de solo explorado pelas raízes.
Estes incrementos extras de água devem ser complementados com práticas de lavagem profunda, ao final de cada estação de produção (safra), especialmente em cultivos de estufas, onde a lavagem natural por água de chuva não ocorre. Nestes casos é conveniente que, ao se projetar os sistemas de irrigações localizados se contemple a possibilidade de se utilizar técnicas de lavagens complementares, como a aspersão ou a irrigação de superfície.
É notório que se pode fazer uso de águas de qualidade duvidosa em irrigação localizada, sempre que se tenha em mente um bom manejo para a prática. A chave do sucesso para este sistema de irrigação reside em se manter a umidade elevada em disponibilidade às raízes, mediante a aplicação de irrigação tanto mais freqüente, quanto mais arenoso seja o substrato.
Por fim, não se deve esquecer que para a utilização de águas salinas, é exigida uma boa drenagem (natural ou artificial) do solo, a fim de que permita a eliminação de sais em profundidade. Como referência, a grande maioria dos estudiosos recomenda uma permeabilidade superior a 25 mm/h.

4.5.3 CHUVAS E MANEJO DA IRRIGAÇÃO 
Ainda que pareça extranho, no caso de cultivos ao ar livre, é conveniente irrigar mesmo quando acontecem pequenas chuvas (chuvas débeis). Esta prática tem a finalidade de evitar que os sais acumulados nas periferias das superfícies umedecidas se desloquem para a zona radicular.

4.4.4          FERTILIZAÇÃO 
As hortaliças requerem grandes quantidades de fertilizantes, principalmente quando cultivadas em estufas, onde a produtividade é muita elevada. Em certas ocasiões, as águas de irrigação possuem altas concentrações de elementos essenciais (potássio, cálcio, nitrogênio, etc.). Assim sendo, quando do momento de se planejar um plano de fertirrigação, deve-se ter em mente as quantidades de nutrientes que serão disponibilizadas na água de irrigação.
Nos sistemas de irrigação localizada, a fertilização e a irrigação são realizadas conjuntamente (fertirrigação); por isto, especial atenção deve ser dispensada quando se faz uso de água de má qualidade.
A adição de fertilizantes à água de irrigação irá proporcionar um aumento da condutividade elétrica da água, o que indicará que se deve aplicar fertilizantes com baixo índice de salinidade e efetuar incrementos de forma regular a fim de evitar doses elevadas.
A acumulação de sais atrasa a evolução da matéria orgânica, de tal maneira que, nestes casos é recomendado a aplicação de esterco bem decomposto (curtido).

4.4.5          OUTRAS RECOMENDAÇÕES 
A germinação e o estágio de plântula são fases críticas nas quais é reduzida a tolerância do cultivo aos sais, de tal maneira que o semeio no plano ou em meia-ladeira (quando o semeio é realizado em camalhões) são práticas aconselháveis, pois favorecem o desenvolvimento da semente e da plântula.
As práticas agrícolas superficiais (capinas, escarificações, etc), devem ser bem conduzidas a fim de se reduzir ao máximo a evaporação, já que deste modo se evita o ascenso de sais por capilaridade, à zona radicular.
Já as práticas agrícolas de maior profundidade (subsolagens, etc.), favorecem à lavagem e eliminação dos sais do solo.

RESUMOS
Uma determinada área de sequeiro, para que seja transformada em zona irrigada, está condicionada aos seguintes fatores:
·         A disponibilidade de água.
·         A qualidade da água para este fim.
A vazão disponível e a demandada por unidade de superfície determinarão a superfície máxima a irrigar.
Geralmente, a água de irrigação é oriunda de águas superficiais ou de águas subterrâneas.
Em sua movimentação, a água arrasta partículas, dissolve sais, se contamina e com isto altera sua qualidade para a irrigação.
A dissolução de um sal significa a dispersão de suas moléculas em dois constituintes: ácidos (ânions) e bases (cátions).
Um alto conteúdo de sal na água impede que a planta absorva água do solo; muitas vezes, certos sais destroem a estrutura do solo, e em ocasiões bastante freqüentes, podem deteriorar ou destruir elementos da rede de irrigação.
A aptidão da água para a irrigação é medida pelos conteúdos de:


Para conhecer a qualidade de uma água, é indispensável que se proceda a uma análise laboratorial da mesma. A coleta da amostra influi enormemente nos valores. Desta forma, deve-se ter o cuidado de seguir os procedimentos já descritos anteriormente, e por fim, remeter a amostra ao laboratório. O resultado da análise deverá contemplar pelo menos os parâmetros anteriormente descritos, além do valor da condutividade elétrica (CEa).
Pelas quantidades valoradas de cátions e ânions, se deduz se a água é tóxica para o cultivo ou para a estrutura do solo (Na+) ou se prejudica o funcionamento do sistema de irrigação (Ca, Mg, etc.) ou deteriora sua integridade (SO4).
O índice Razão de Adsorção de Sódio (R.A.S.) faz referência à proporção relativa do sódio (Na) ante aos cátions que são liberados pela sua presença (Ca e Mg), e que evidenciam o perigo de desagregação da estrutura do solo.

ü  A um maior valor de RAS, maior perigo de degradação do solo.
ü  O índice RAS aumenta se não há presença de Ca e Mg na solução, fato que se produz quando os sais desses elementos se precipitam, pela evaporação da água. Este fato negativo é de suma importância na superfície da zona molhada pelo gotejador (bulbo úmido).
ü  Os parâmetros RASaj e a CEa, quando observados conjuntamente, dão informações mais precisas sobre a qualidade da água.
ü  A toxidez de certos cátions depende do sistema de irrigação empregado, e da cultura explorada. Porém, deve ser objeto de prevenção, quando os limites descritos anteriormente sejam atingidos.
ü  Partículas em suspensão é a principal causa de obstrução física dos gotejadores, enquanto que ânions e cátions como cálcio (Ca), Magnésio (Mg), Ferro (Fé) ou Carbonato (CO3), dá origem a obstruções químicas, e ainda um alto conteúdo de bactérias, ás obstruções biológicas.
ü  Alguns ânions, principalmente os Sulfatos (SO4), causam corrosão nos elementos metálicos dos sistemas de irrigação.
ü  Um estudo detalhado da água a ser utilizada e do tipo de solo disponível, previamente à transformação da área, evitará surpresas posteriores desagradáveis, bem como a ocorrência de gastos para correção dos problemas.